É fundamental atacar a pobreza infantil

É fundamental atacar a pobreza infantil

A situação ocorrida na Escola E.B.1 de Loulé, noticiada ontem, de uma criança que ficou sem almoço por falta de pagamento dos pais, situação que mereceu um repúdio generalizado, traz novamente à discussão as questões da pobreza infantil em Portugal e da resposta social do Estado.

Obriga-nos a olhar para o problema de três em cada dez crianças portuguesas serem carenciadas; o problema de uma em cada cinco estar exposta à pobreza; o problema de o emprego dos pais não garantir que se esteja a salvo da pobreza; o problema de as crianças chegarem à escola com fome; o problema de fazerem a única refeição quente do dia na escola. E tendo a escola esse papel central, que capacidade terá ela com mais cortes na educação (o maior corte previsto neste Orçamento de Estado é exactamente na educação) e no apoio social escolar?

No futuro, o problema estará no abandono escolar ou no fraco desempenho escolar, na nutrição insuficiente para o desenvolvimento pleno e harmonioso da criança, na reprodução sistemática e hereditária da pobreza.

Numa altura em que se discute mais um Orçamento do Estado, é bom termos a certeza que não há desenvolvimento nem crescimento possíveis sem crianças capazes, saudáveis e felizes.

Seixal, 17 de Outubro de 2012